segunda-feira, 27 de abril de 2015


E foi num 28, quase como este,
que os olhos cor da noite
amanheceram  para os olhos,
quase tristes, do Poeta questionador de si
e apaixonado por D’Anjos.

Não recordo o filme, tampouco os detalhes da prosa,
mas ainda sussurram na memória as músicas cantadas ao pé do ouvido,
molhadas com doses de versos que nunca serão vãos e vontades de ficar.

Hoje, os olhos cor da noite em prece agradece pelo amor,
que a cada dia cresce e permanece.

E foi num 28, quase como este,
que abri a porta,  reguei as flores, ganhei mais viço
e senti a poesia mais bela reinar.


Thai Pinheiro


Foto: Google Imagens

segunda-feira, 9 de março de 2015




- A culpa não é sua,
nem das estrelas,
tampouco da flor que não vingou,
as expectativas, todas elas,
são minhas e
pagarei, sem exitar, uma a uma.
- Disse ela, fechando o sorriso mareado,
antes de virar a esquina.

Thai Pinheiro



Foto: Google Imagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015




"São tempos difíceis para os sonhadores"
Mas é preciso
regar as flores,
arar a terra,
semear, semear, semear...
até brotar o verde,
até nascer um punhado de riso,
E fazer acordar o sol,
semear, semear, semear...
até florescer os sonhos
e cobrir o jardim de primavera.

Thai Pinheiro


Foto: googleimagens

quarta-feira, 6 de agosto de 2014



Deixou de trazer risos e
de criar o sol das horas desavisadas.
Deixou de ser a espera mais desejada.
Abandonou os caminhos vagos,
sem desalinhar o mapa.

Deixou de ser a primavera,
sem fazer murchar as flores.

Deixou de tornar-se ausência e
esfriar o café doce da manhã,
não trouxe mais frio, nem calor para as manhãs de inverno.
Não é mais o verão dos dias de Janeiro à Dezembro.

Deixou de desagalhar o amor e
fazer sentido ao soneto de dor.
Abandonou o lugar das lembranças e
deixou de preencher a saudade.

Deixou...
Não pesou mais na balança dos afetos mal resolvidos.
Tornou-se aquilo que não se pode explicar,
que os versos de mil poemas não conseguirão fazer rimar.
Sem valor, dessabor e vontades: nada.


Thai Pinheiro

Imagem: Wereartit

sábado, 12 de julho de 2014



Homenagem

Em meu bloquinho amarelo registrei o dessabor das nossas memórias,
peguei as lembranças mais doídas, amarguei uma a uma,
como se escrevendo ali impusesse ao amor uma sentença de morte.

Passei a raiva a limpo para o papel.
Escrevi linha a linha com a caneta cor de sangue,
para não esquecer de TUdo e deslembrar de ti.
São  as dores do presente com desejos de passado.
Sim, era de desgosto que eu falava, pois desgostar almejava.

Passei a raiva a limpo para o papel.
Assim, te escrevo em dessabores
e te assento na morada das saudades distantes.
Lerei todos os dias as palavras de tinta vermelha,
como se faz com uma reza a se aprender.
Conservarei por escrito todo o pesar,
 porque é preciso "lembrar de te esquecer".

Passei a raiva a limpo para o papel.
E deixarei na estante todos os vasos sem flores,
decorando as memórias com dores,
pois a melhor parte ficou em mim,
tatuada com o nome de eterno.

Thai Pinheiro

Foto: Google imagens




domingo, 18 de maio de 2014



Chegaram os ventos de outono,
florindo jardins de Maio,
abrindo portas de Junho,
arrastando as folhas secas,
desdobrando em abraços
os risos de Setembro.

Chegaram os ventos de outono,
adoçando desalegrias de agora,
enchendo a xícara do café de amanhã.

Chegaram os ventos de outono,
sem saudades da primavera,
pois as  flores daqui  não carecem de estação,
a rega sou eu quem dito.

Thai Pinheiro

segunda-feira, 14 de abril de 2014



"tem palavra
que não é de dizer
nem por bem
nem por mal
tem palavra
que não se conta
nem prum animal
tem palavra
louca pra ser dita
feia bonita
e não se fala
tem palavra
pra quem não diz
pra quem não cala
pra quem tem palavra
tem palavra
que a gente tem
e na hora H
falta"

Alice Ruiz

Imagem: Weheartit

sexta-feira, 28 de março de 2014



Há tempos que os frutos doces,
os quais inundavam de sabor as manhãs de novembro
não dão colheita,
mas as raízes, assim como a árvore frondosa, de tão forte,
intensa e impregnada na terra, não perecem,
permanecem,
cobrindo de folhas, semi secas,
o jardim suspenso na varanda da memória,
dando sombra aos sonhos,
verdilhando a vida.


Thai Pinheiro

Foto: weheartit

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014



Ando improdutiva de sonhos.
Esqueci de regar as flores do jardim da sala e bati a porta.
Perdi as chaves do meu relicário de viço
e nem me animei a procurar.

Meu estado desalegre de ser,
tem adormecido o sol na aurora,
apagado gentilezas e amargado jardins de Janeiro.

Meu estado desalegre de ser,
tem fortalecido o vento que bate as janelas
e alimentado o pôr do sol indeciso, pois não é dia e nem noite,
sabe pouco sobre as agruras do querer.

Tem empobrecido versos,
emudecido melodias,
desafinado risos,
descolorido meu carnaval.


Thai Pinheiro



Imagem: Getty Imagens


segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013



E neste mundaréu de mal querência,
inundado por um mar de sorrisos rasos
e abraços afrouxados,
eu só te peço, meu Deus,
a sabedoria do cacto:
Re(x)sistir aos espinhos
e também florir entre pedras.


Thai Pinheiro



Foto: Taciane Pinheiro

domingo, 24 de novembro de 2013

Voinha



Este poema não foi feito para rimar,
pois o coração aperta,
o riso silencia,
mesmo diante de lembranças felizes e
emolduradas de flor.

Passo os dedos úmidos no teclado,
a voz embaça,
o choro engasga.
São dores e flores de inverno
abertas no fim da primavera.

São tantos janeiros desaquecidos
pela querência do teu abraço,
do teu cheiro vespertino de alfazema,
do teu riso de aurora,
dos teus olhos doces e castanhos.

Ela era o natal de Fevereiro.

A saudade de voinha não cabe
em rimas, em notas, em prosa,
transborda.

O que acaricia a alma
é a certeza que em mim
ficou vestígios de Maria,
ficou um rastro de amor.

Thai Pinheiro




domingo, 3 de novembro de 2013



Você rasgou o papel de arroz que cobria meu riso.
Queria, talvez, repartir contigo a sobremesa do almoço de domingo,
mas você preferiu ser ventania de areia, que destrói sentimentos-flor.

Antes, eu desejava a sua chuva regando terras de mim,
fazendo, quem sabe, nascer jasmins cor de verão.
Você poderia ter sido o sol de quimera das minhas primaveras,
mas, hoje, é a tarde fria e nublada de inverno, murchando jardins de setembro.

Durou tal qual um eclipse raro: meia manhã, meia maça, meio gole de café,
porém o suficiente para sorver as minhas doçuras mais sutis.

Você empobreceu minhas rimas,
 molhou o meu poema mais belo.

Thai Pinheiro


segunda-feira, 28 de outubro de 2013


 
Ouvi alguém dizer,
num momento qualquer,
que somos compostos por 70% de água.
Daí pensei, e os meus outros 30%?

Será que são os risos gargalhados,
que de tão profundos não consigo esquecer?
Ou serão as lembranças das borboletas
que pousaram no meu jardim nas últimas 30 primaveras?

Será que são os cheiros que exalavam da cozinha de minha avó na minha feliz infância?
Ou os outros cheiros deliciosos que brotam da minha mãe diariamente?

Seriam os olhares que cruzaram o meu caminho por invernos, outonos e novembros?
Ou serão os livros lidos?
Os poemas escritos?
As lágrimas não derramadas?

Seriam os beijos, com gosto de sol, que me amanheceram despretensiosamente?
Ou os abraços, de tantos braços, recebidos de janeiro a janeiro, que em muitos momentos foram afagos na alma?

Será que é a fé que as vezes parece imensurável e, em alguns momentos, quando duvido, sinto pesar em meu peito?

O que são os outros 30%?

São as dúvidas?
As respostas?
As quase certezas?

Será que posso medir cada devaneio?
Cada momento de coragem?

30%? Tão pouco para tudo.

Há sempre uma explicação exata para os realistas,
pois o concreto é fácil medir.
Mas como mensurar minha alma, meu rio, meu mar?

Prefiro refazer a conta e devanear tal qual Oswaldo Montenegro,
acreditando, duvidando, sonhando,
que metade de mim é amor e os outros 50% também.

Thai Pinheiro

Imagem: Weheartit

domingo, 29 de setembro de 2013

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Andei por terras de ti
tal qual um andarilho no inverno em busca de sol,
os dias ao seu lado
eram como sentir nas manhãs de outono
as flores ásperas brotadas na timidez da estação,
e cravejadas de espinhos.

Me perdi em meio a folhagem
que se espalhava pela tua calçada.
Abri, sem perceber, janelas
fechei portas,
podei plantas,
risos.

Beberiquei pedaços do teu mar
e fui sentindo o sal,
que brotava em meio aos beijos disfarçados,
amargando os versos do meu poema de verão.
você fez chover em mim,
e atrasou a minha primavera.

Thai Pinheiro


Foto: Getty Images